03 February 2026

Paris Fashion Week Spring Season 2026: o adeus do minimalismo.

Leitura de 4 min

O segundo semestre de 2025 anunciou uma reviravolta significativa com a troca de diretores criativos em diversas grandes maisons. A chegada de novos nomes reacendeu expectativas e reposicionou narrativas. Assim, a temporada de primavera da Paris Fashion Week 2026 iniciou sob grande atenção e a boa notícia é que não decepcionou.

O que se viu nas passarelas foi uma resposta clara ao excesso de contenção dos últimos anos. A maioria das coleções apresentou arquiteturas de silhueta bem definidas, volumes controlados, transparências e sobreposições cuidadosamente construídas. As cores surgiram em tons diluídos como rosados suaves, azulados e verdes claros.

Outro ponto de destaque foi o retorno da ornamentação com intenção: brilhos intensos, superfícies bordadas, texturas volumosas com pelos, espinhos e aplicações tridimensionais transformaram as peças em verdadeiros objetos artísticos. Uma ruptura evidente com o minimalismo estrito que dominava temporadas anteriores.

 

Chanel

Na Chanel, a temporada marcou a estreia de Matthieu Blazy como diretor criativo. Sua leitura construiu um universo de fantasia delicada, quase suspensa no tempo. A narrativa remete a jardins imaginários e a um cenário onde a leveza e o sonho conduzem a coleção.

O foco esteve na simplicidade refinada, revisitando o início da marca, quando Gabrielle Chanel criava vestuário funcional para diferentes momentos da vida. Essa herança aparece em releituras sutis de códigos tradicionais da maison, agora iluminados por brilho discreto e texturas suaves.

Essa leitura aponta caminhos claros para a moda festa: o uso estratégico de brilhos, plumas e penas em padronagens visuais, o degradê construído por sobreposição de transparências ou variações tonais no mesmo material. Uma análise da coleção também traz a valorização de modelagens assimétricas e saias mullet,  elementos que trazem movimento e leveza sem excesso.

Dior 

A Dior também apresentou um ar de novidade com a primeira coleção assinada por Jonathan Anderson. O debut foi marcado por jardins simbólicos, formas bem desenhadas e um equilíbrio preciso entre romantismo e rigor técnico.

O grande destaque do desfile foi o vestido de noiva, que reuniu silhueta estruturada, drapeados elaborados, saia princesa e abundância de flores. Ali, tradição e fantasia caminharam juntas.

De maneira geral, a coleção apresentou forte presença de elementos florais nos tecidos, acessórios e aplicações. Essa utilização ganhou destaque como jacquard floral drapeado e plumagens. Essa leitura ultrapassa a passarela e dialoga diretamente com a moda festa contemporânea ao propor vestidos de estrutura clara, cinturas marcadas e volumes pensados, onde o encantamento nasce da construção.

Armani 

Reconhecida pelo glamour contido e pela elegância atemporal, a Giorgio Armani reafirmou sua identidade nesta temporada, agora enriquecida pelo olhar de Silvana Armani, sobrinha do fundador da marca. A presença feminina no processo criativo trouxe como complemento uma leitura ainda mais evidente de poder e sofisticação.

Essa evolução se torna clara quando comparada a coleções anteriores. A proposta aposta em brilho, transparências, tecidos acetinados e silhuetas bem definidas, compondo uma coleção que transita entre ternos femininos, vestidos de festa e combinações de corset com calça.

Na moda festa, essa influência se traduz em peças de presença silenciosa, onde o impacto está na qualidade da construção e na precisão das escolhas — uma elegância que não depende do excesso para se afirmar.

Valentino

Valentino trabalha a emoção por meio da cor, do volume e da fluidez. Há teatralidade, mas sempre acompanhada de refinamento e intenção estética. A coleção apresentou uma variedade de propostas, transitando entre mix de cores vibrantes e composições monocromáticas.

Essa perspectiva inspira vestidos de festa que se destacam com sutileza, seja pela cor, pelo movimento do tecido ou pela forma como a peça ocupa o corpo. São criações que chamam atenção sem perder leveza e elegância, reafirmando a emoção como elemento central do vestir.  

   

Outras marcas como Schiaparelli, Elie Saab, Gaurav Gupta e Robert Wun também marcaram presença no evento, ampliando ainda mais o espectro criativo da alta-costura nesta temporada. Cada uma, à sua maneira, reforçou a moda como narrativa sensível, ora simbólica, ora emocional, ora profundamente arquitetônica.

O que une essas leituras não é uma estética comum, mas a intenção. A alta-costura reafirma que criar é um exercício de profundidade e que vestir pode ser um gesto carregado de significado.

É a partir desse repertório que a moda festa encontra novos caminhos. Não como reprodução literal do que se vê nas passarelas, mas como tradução consciente do tempo. Um olhar que também orienta novas criações desenvolvidas no ateliê, pensadas para celebrar, existir e atravessar o tempo com sentido.

 

Créditos de imagem:

Dior: acessar

Armani: acessar

Valentino: acessar

Chanel: acessar

 

Aline Tereza
Quem escreve

Aline Tereza